domingo


Na cama, acordado, meio acanhado.
No sono, consagrado, já um pouco cansado.
Desperta, todo dia, o meu amigo virgia.
Faz barulho, sem parar, até amanhecer o dia.

Vigiando, meu sono, ele fica.
Vigiando, meu sonho, ele critica.
Vigiando, minha sombra, ele aborta.
Vigiando, minha ternura, ele se comporta.

Acordei-me hoje atordoado, meio sujo e meio amargo.
Fiquei horas esperando, mas nada dele chamar.
Fiquei triste, sem vida... não o posso mais escutar.
Fiquei, sim, sem motivos pra hoje me levantar.

Dias e dias assim fiquei. Trancado na cama.
Dias e dias assim passei. Apavorado na lama.
Quando olhei para o meu lado, me decepcionei.
O meu vizinho safado, roubou o que sempre amei.

Mas o que me deu desgosto, foi que o meu despertador
Havia me trocado, pelo moço bom pastor.
Disse que foi tal paixão que mesmo sem nenhuma intenção
Me deixou, aqui sozinho, sem nenhuma explicação.
Fiquei parado na cama fria, sem ter ninguém pra consolar.
Fiquei ali por todo o dia, sem sequer me alimentar.
Bem sujo como estava, quando o escutei cantar,
Corri e levantei e sorri. Mas logo se pôs a parar.
Agora cantava do outro lado, agora cantava para o outro lado.
Não mais a mim pertencia, mas seu canto me iludia
e me fazia viver intensamente a cada dia.
O meu vizinho se apaixonou pelo meu despertador,
mas eu sei que o meu amor é bem mais forte
e um dia tenho certeza que ele voltara a cantar para o norte.
Voltará a cantar para o, meu, norte.

2º FASE DO DESAFIO LITERÁRIO DO CAP JUAZEIRO 155.
TEMA: O VIZINHO ROUBOU O MEU DESPERTADOR.

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