domingo

Estava calado, acomodado, escorado...
Estava soldado,soldado amado, soldado refém, soldado do além, soldado de alguém.
Por estar, eu já era cobrado. E era obrigado a estar, calado.
Puseram-me pra ser soldado.
Assim, soldadofui ser.
Combati os mil males, os mil amores.
Sem medo fui à luta. Fui cruel. Fui réu.
Fui menino de chapéu, fui menina de bordel.
Fui homem de amores, fui mulher de temores.
Fui eu, fui ele, fui ela, fui eles... Fui fúria, fui fiel.

Depois da guerra me tiraram, pus-me a lembrar de tudo que tinha sido, fui tanto que nem mais importa.
Fui... Sou... Era... Ainda sou. Calado. Ditador de mim mesmo. Sem protestos, sem greves, ainda continuo sendo o mesmo de sempre. O eu ditador, ditando cada célula, cada partícula, cada membro. Ditando o meu melhor, ditando do sol ao dó.
Me libertei, fiz greve de fome. Acabei com o infame que em mim morava.
O matei com o meu veneno mortal. Transformei palavras em pó. E pó em palavras.

3 comentários:

Paula Izabela disse...

Eita, que fazia tempo que eu não vinha aqui.
Cheguei morrendo de sono, mas até acordei com esse poema, por sinal bastante maduro - tanto na temática quanto na métrica. Lembrou-me a poesia do Álvaro de Campos. Conhece?

Grata pelo comentário lá no Centenário. Nem divulguei o link para não "ferir" brios. Fiquei meio p*** com tanta gente nas mídias sociais comemorando essas festividades - como se tivéssemos algo para comemorar. Quase discuti com alguns no twitter e no facebook, mas achei melhor dar minha resposta no blog.

Depois me dá notícias do teu Vestibular.

FELIZ DIA DO AMIGO atrasado!!!

PS: Minhas férias acabando... Buááááá!

Karol disse...

Olhe aqui, mocinho... vou descontar esse aperto aqui num abraço bem forte visse?!

Seu menino, gostei demais. Gosto dessa brincadeira de palavras parecidas quase querendo ser iguais, ser uma só, que ficam lindas nessa dança fazendo a leitura escorregar fácil.
Talvez eu seja só uma louca que gosta de dizer que as palavras escorregam [ou não] e fica encantada quando isso acontece. Mas uma louca que acredita saber o que é bom de se ler e que ainda por cima gosta de tu. Tais ferrado, hein?! :)

Muito bom, mesmo, Seu menino. Escorregou feito menino brincando num parque e, por outro lado, pesou e foi forte. Bom mesmo! :)

Rayane Oliveira ' disse...

Mario Pontes, só você mesmo pra me fazer ler e ainda me emocionar com isso, kkkk'
Mas falando sério Parabéns, por você sabe usar as palavras tão bem... Como sempre adorei!

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